Obra é releitura de Zélio feita por ele em 1974; prefeito sinaliza por criação de um museu do humor
Com o cartaz ao fundo, Bonfá, o prefeito Luciano Almeida, Junior Kadeshi e secretário Beltrame reverenciam obra reeditada pelo cartunista Zélio: salão começa em agosto (Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba)
O 50º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que será aberto no dia 26 de agosto, no Armazém 14 do Parque do Engenho Central, já conta com seu cartaz promocional assinado pelo cartunista Zélio, 85, autor do primeiro cartaz do evento, em 1974.
O material foi apresentado ontem à tarde durante coletiva de imprensa, no Centro Cívico, no gabinete do prefeito Luciano Almeida. O evento contou com as presenças do prefeito, do presidente da 50ª edição, o humorista Paulo Bonfá, do diretor do Cedhu (Centro Nacional de Documentação, Pesquisa e Divulgação de Humor Gráfico de Piracicaba), Junior Kadeshi, e do secretário municipal da Ação Cultural, Carlos Beltrame.
Zélio Alves Pinto não pôde comparecer ao lançamento. Ele enviou, porém, comentários sobre a história do salão. “Inauguramos o 1º Salão de Humor de Piracicaba no espaço de um banco, no Centro da cidade, na época com cerca de 70 mil habitantes. Foi um sucesso inesperado. Veio gente de toda a região, amigos de redação da Folha (de São Paulo). Gol também do Pasquim, que deu uma página do sucesso retumbante", lembrou Zélio.
Artista visual e escritor, Zélio é irmão do cartunista Ziraldo, e ajudou a criar o maior salão internacional de humor ainda sobre os anos da ditadura no Brasil.
Kadeshi explicou que o cartaz é uma homenagem ao cartunista e à própria criação de 1974. Naquela, a cabeça do personagem contava com pincéis, lápis e a mão com sinal de V. No atualizado, Zélio trocou objetos relacionados ao ofício de desenhar pelo ícone que se tornou o mais desejado pelos artistas que enviam suas obras ao Salão de Humor, que inclusive, é uma homenagem a ele: o Grande Prêmio Troféu Zélio de Ouro.
O diretor do Cedhu frisou ainda a importância da homenagem a Zélio e de o salão ainda contar com muito de seus cofundadores e novas gerações como Erasmo Spadotto, Zélio, Ziraldo, Chico Caruso, entre outros. Paulo, irmão de Chico, também um dos mentores do salão no passado, morreu recentemente vítima de câncer.
“O Zélio é considerado pai do salão”, disse Kadeshi. Sua presença, reforçou o diretor do Cedhu, é muito importante e por isso foi convidado para fazer o cartaz.
Ele lembrou que o salão se tornou internacional a partir de sua terceira edição e destacou como algo admirável o mundo todo conhecer o evento e artistas quererem participar do mesmo.
A inteligência artificial (IA) também entrou na conversa ontem na coletiva de imprensa. Questionou-se a possibilidade de artistas utilizarem máquinas para a criação de suas obras e isso não torná-las menos humanizadas.
Bonfá e o prefeito Almeida entendem que ano após ano houve evolução na forma de expressão dos artistas. Naturalmente, mesmo usando a IA não haverá dúvidas que se tratará de uma criação humana e que será avaliada pelo júri. “A realidade é nova, mas não tira a criatividade de cada um”, disse o prefeito.
O salão, frisou Bonfá, começou com desenhos a mão, depois a ajuda dos computadores e dos softwares. Mesmo com a IA, frisou ele, cria-se uma obra original, não plagiada.
No entendimento do secretário Beltrame, Piracicaba conta com o maior salão do mundo e que em sua 50º edição tem uma equipe dedicada. “Vamos ter muitas surpresas”, adiantaram ele e o prefeito.
O diretor da Rádio Educadora de Piracicaba, Jairinho Mattos, que também já foi membro da Comissão Organizadora do Salão, na 41ª edição, lembrou de um projeto antigo para se criar um museu do humor no Engenho Central.
O prefeito Luciano Almeida contou que há um anseio para se criar um museu do humor ou do riso. Seria uma forma permanente de a população curtir as obras históricas do evento. Ele lembrou, porém, que no Engenho há espaços tombados como patrimônio histórico e existem critérios para usá-los adequadamente.
Programação
A programação do Salão de Humor começou no domingo (19) com a exposição Batom, Lápis & TPM 2023, na Casa do Povoador. A mostra feminina, realizada Secretaria da Ação Cultural e o Cedhu tem 72 trabalhos de 33 artistas do Brasil e no exterior. A entrada é gratuita e pode ser visitada até o dia 16 de abril de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, e aos sábados e domingos, das 13h às 17h.
A programação prossegue na semana que vem quando ocorrerá o lançamento do regulamento para a participação no evento. Já em abril haverá o Humor em sala de aula com a participação de estudantes.