Passeio temático

Roteiro indígena pelo Sesc-Piracicaba tem vagas esgotadas

O Projeto “Pirassicava, mapa indígena” terá início na praça da Boyes e passagem pela região da Rua do Porto, o trajeto segue para a área interna do Engenho Central e chega ao Rio Piracicaba

Romualdo Cruz Filho
23/02/2023 às 06:00.
Atualizado em 23/02/2023 às 06:00
Obra do artista plástico Willian Hussar para o projeto do Sesc-Piracicaba “Pirassicava - Mapa Indígena”, sobre a presença dos indígenas em Piracicaba no período pré-colonial (Divulgação)

Obra do artista plástico Willian Hussar para o projeto do Sesc-Piracicaba “Pirassicava - Mapa Indígena”, sobre a presença dos indígenas em Piracicaba no período pré-colonial (Divulgação)

O Sesc-Piracicaba realiza neste domingo (26) um passeio temático para identificar alguns pontos considerados relevantes para se compreender a cultura indígena na cidade. O Projeto “Pirassicava, mapa indígena” terá início na praça da Boyes e passagem pela região da Rua do Porto, o trajeto segue para a área interna do Engenho Central e chega ao Rio Piracicaba.

O final do circuito será em Santana, no Círcolo Trentino, onde haverá uma exposição dos achados do senhor Jair Vitti, que coleciona há mais de 50 anos cerca de cinco mil peças indígenas coletadas na região. Seu acervo conta com pontas de lança e flecha, adereços corporais, raspadeiras entre outros utensílios.

A monitoria será realizada pelo professor de artes visuais Fábio San Juan e pelo jornalista Romualdo Cruz Filho. Eles elaboraram pesquisas sobre o assunto com base em dois grandes estudiosos no assunto: André Prous, arqueólogo e professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Marcel Mano, professor associado (DE) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde desenvolve trabalhos de ensino, pesquisa e extensão, com ênfase nas relações entre Antropologia, Etnologia e História. 

Serviram de base também obras da historiadora Marly Therezinha Germano Perecin, teses de mestrados e doutorados de alunos da USP e Unicamp, bem como documentos da Câmara Municipal de Piracicaba, entre outros. Em essência, o trabalho que deu origem ao roteiro, confirma a origem cabocla do município e os indícios de que houve predominância dos tupi-guaranis na região. Mas Piracicaba, como todo o Campos de Araraquara, segundo a descrição de Mano, era área de transição, o que significa local de passagem para os diversos grupos indígenas que viviam no sul ou na área central do país. Além de que desses indígenas, uma parcela foi vítima de doenças transmissíveis trazidas pelos europeus, outros, exterminados no processo de ocupação, seja pelos portugueses, na origem, ou pelos próprios caboclos, no desenvolver da história, ainda, preados e ou aculturados, simplesmente.

O caboclo é visto assim como herdeiro natural da cultural indígena, bem como a base de toda a cultura paulista. No caso dos objetos líticos (de pedra) do senhor Jair, tais achados demonstram falta de pesquisas arqueológicas adequadas para se saber mais sobre as tradições indígenas que conviveram na cidade, na fase pré-colonial, e como se dava a real convivência dos tupi-guaranis com o rio Piracicaba, região onde provavelmente se fixaram. Serão dois passeios ao longo do mês, mas ambos já estão com vagas esgotadas.

O projeto conta com um catálogo colorido, ilustrado pelo artista plástico Willian Hussar, onde estão todos os pontos da cidade que possuem ligação com a passagem dos indígenas pela cidade, destacados pelos pesquisadores e com descrições rápidas sobre cada um deles. Além do material lítico, comenta-se também sobre objetos cerâmicos, com destaque para a igaçaba que está no Museu Prudente de Moraes. 

Expediente
Pesquisa e redação: Romualdo da Cruz Filho e Fábio San Juan
Consultoria arqueológica: Letícia Cristina Correa
Consultoria em conservação e restauração: Ana Carina Urbano Torrejais
Ilustrações e projeto gráfico: Willian Hussar
Fotos: Gustavo Vitti
Guia Turístico: Fabrício Garcia

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