Arte coletiva

Muro da frente da Escola Dr. Prudente ganha novo visual

A cartoongrafia consiste na junção de pequenos elementos para formar uma cena

Da Redação
20/05/2023 às 08:20.
Atualizado em 20/05/2023 às 08:20

Segunda etapa do projeto MuroArte já está sendo executado (Divulgação)

Dentro de algumas semanas, o muro da frente da E.E. Dr. Prudente, localizada na rua José Pinto de Almeida, Centro, estará de "cara" nova. O ilustrador e caricaturista Camilo Riani e um grupo de artistas já trabalham para transformá-lo. Trata-se da segunda etapa do projeto MuroArte.

Na primeira, inaugurada no final de 2019, antes da pandemia, utilizando a técnica da cartoongrafia desenvolvida por Camilo, foram envolvidos mais de 600 convidados, com idade de um ano a 90 anos, que deixaram as suas mãos impressas no muro. 

A cartoongrafia consiste na junção de pequenos elementos para formar uma cena. No caso do muro da escola, o artista produziu uma parte do desenho, que ficou encoberta, e as pessoas deixaram a impressão das mãos no restante do espaço, sem ter a ideia da imagem que ajudavam a compor. Na inauguração, surpreenderam-se com a grande arte: o Engenho Central e a Piracema saindo como gotas do pincel da mão do artista, transformando-se na cena completa. "É a história do Engenho Central sob o ponto de vista afetivo e cultural para a cidade", observa Riani. 

A mesma técnica está sendo utilizada nesta segunda etapa que já está em andamento. Por problemas de saúde, Camilo Riani não poderá, como na primeira, fazer todo o trabalho artístico. Conta agora com a colaboração de uma equipe de peso: seus irmãos Paulo, Chico e Camila Riani e uma convidada, Rosana Borges Zacarias. Camilo participa palpitando, instigando, provocando e criando as ideias principais da arte. A equipe ficou responsável por toda a execução artística, coordenação, interação e palestra com os alunos.

"Nossa ideia de arte coletiva com a participação do público, tornou-se coletiva também na condução artística", comenta.

Camilo mantém em segredo a imagem que vai tomar conta do muro da frente da escola. "Será uma surpresa", diz. Mas dá uma dica, dizendo que o conteúdo narrativo continua sendo a ideia da fluidez do rio, de seu movimento, só que agora trazendo outras conotações, como afeto, parceria e educação. "É uma homenagem à educação em que da ponta de um instrumento da educação pode ser a nascente da própria vida, no caso a nascente do rio Piracicaba". 

Ele continua: "Ainda continua sendo Piracicaba, porém, agora, é uma homenagem à educação, principalmente nesse momento em que as crianças e a própria escola estão sendo violentadas de outras formas. Precisamos dar alguma resposta e a sociedade pode dar, entre outras formas, pela arte. É o que decidimos fazer, uma grande homenagem à educação, à escola, à comunidade, à cultura e à arte. Tudo isso somado como uma nascente da vida, e a vida representada pelo rio Piracicaba". 

Como surgiu
Numa visita à empresa Neurônio Adicional, em 2019, Camilo viu o muro da escola muito abandonado, deteriorado, com pichações, palavrões, "bem caidão". Conversando com o pessoal da agência, surgiu a ideia de fazer uma arte coletiva nos 120 metros quadrados que envolvesse todas as crianças, independente de saberem desenhar ou de terem contato com a arte, e toda a comunidade do entorno. 

"Numa reflexão sobre a origem, a história da nossa própria arte para a humanidade, vem a mão nas cavernas, o que gerou a ideia de que cada pincelada dessa grande obra em centenas de metros quadrados seria as mãos da comunidade, "as suas digitais e que, somadas, formariam outro cenário". 

Com a técnica cartoongrafia, então, milhares e milhares de mãos transformaram parte do muro da escola em uma grande arte. A grande expectativa, agora, fica por conta da segunda etapa.

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