SALÃO INTERNACIONAL

Jurados destacam os trabalhos de humor

Durante julgamento, especialistas se surpreenderam com as obras

Juliana Franco
juliana.franco@gazetadepiracicaba.com.br
22/08/2016 às 10:48.
Atualizado em 28/04/2022 às 04:51

O júri de premiação do Salão Internacional de Humoe escolheu os trabalhos vencedores (Del Rodrigues)

A mistura de culturas apresentada pelos 426 trabalhos selecionados para a exposição principal da 43ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba foi o que mais chamou a atenção do pesquisador e professor universitário da Pensilvânia (Estados Unidos), John Lent. “A inovação e a forma como estes profissionais mostraram os trabalhos, saindo dos padrões comuns, são impressionantes”, afirmou ele que, ao lado de outros seis jurados escolheram as obras premiadas, no Armazém 14 do Engenho Central. O júri de premiação discutiu sobre os melhores trabalhos nas categorias charge, cartum, caricatura, tiras/HQ e prêmio temático sobre mobilidade. Os escolhidos vão receber R$ 5 mil, cada um. “No meu ponto de vista, a ideia é o mais importante a ser avaliada, seguido da história e da qualidade artística. Observei de forma rápida a exposição e a qualidade é surpreendente. Me chamou muito a atenção a obra que aborda a crise da merenda escolar no Estado de São Paulo, feita com bolacha água e sal, e também o Carlinhos Brown construído a partir de peças do motor de carro”, revela Lent. Ainda segundo o pesquisador, é difícil comparar salões de humor, principalmente porque alguns países têm suporte financeiro maior e outros menores. “Mesmo assim, o evento de Piracicaba não tem nada a dever aos demais do mundo. São trabalhos originais, em um espaço belo e grande. Tive uma boa surpresa quando me deparei com tudo isto”. Além dos prêmios por categoria, uma destas obras vencedoras vai levar o Grande Prêmio Troféu Zélio de Ouro, no valor de R$ 10 mil. O anúncio dos ganhadores ocorre neste sábado (27), às 19 horas, no Teatro Municipal 'Erotídes de Campos', seguido da abertura da mostra. “Cada jurado passeia pela exposição e analisa os trabalhos. No final, estes apresentam suas ideias, posição e, após muita conversa e até mesmo debate, chegamos ao consenso dos vencedores. Este é um trabalho demorado e minucioso”, explica o presidente da Comissão Organizadora do Salão, Dagomir Marquezi, que complementa: “Neste ano, vamos tentar escolher trabalhos que tragam tanto ideias atuais como também algo que nos faz pensar a longo prazo. O objetivo é equilibrar as questões da atualidade com o pensamento macro. Posso dizer que estamos em busca dos clássicos do humor. E clássico é aquele que permanece em qualquer área”. Após ser premiado duas vezes pelo Salão de Humor de Piracicaba, o cartunista e artista plástico cubano Aristides Hernandez, participou pela primeira vez do júri. “A primeira impressão foi muito boa. Os trabalhos têm alta qualidade. Isto faz jus ao fato de o evento de Piracicaba ser o maior da América Latina e estar entre os melhores do mundo”, disse. Ainda segundo Hernandez, o belo espaço no qual ocorre a exposição principal – no Engenho Central – traz um brilho a mais ao evento. O Salão é realizado pela Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural) e pelo Cedhu (Centro Nacional do Humor Gráfico). Júri A comissão julgadora foi composta por Geisa Fernandes (pesquisadora e professora universitária - Rio de Janeiro/RJ); John Lent (pesquisador e professor universitário na Pensilvânia, Estados Unidos); Aristides Hernandez (cartunista e artista plástico em Havana, Cuba); José Roberto Neffa Sadek (secretário-adjunto de Cultura do Estado de São Paulo); Gilmar Machado Barbosa (cartunista - Santo André/SP); Gualberto Costa (cartunista – São Paulo/SP), e José Pedro Martins (jornalista – Campinas/SP). Salão de Humor digital O presidente da Comissão Organizadora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, Dagomir Marquezi, afirma que implantou a ideia da digitalização no evento. “O objetivo é expandir a mostra, permitir que as pessoas tenham acesso aos trabalhos, que são de alta qualidade, em qualquer época do ano e de qualquer parte do mundo. Desta forma, toda a ação não fica restrito apenas a exibição da mostra, em um certo período do ano”, afirma. Desde então, a organização do evento estuda uma forma de tornar a atividade permanente. “A ideia está lançada. Agora é trabalhar para que ela possa ser concretizada”, finaliza Marquezi.

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