Tambu

Instituto Afropira e Casa de Batuqueiro querem reconhecer tradição

O projeto foi contemplado no Edital de Chamamento Público nº 04/2024 – Seleção de Projetos para Agentes Culturais com Recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura

Da Redação
03/03/2026 às 07:11.
Atualizado em 03/03/2026 às 07:11

Integrantes das entidades mobilizadas na preservação de uma das manifestações de resistência negra de matriz bantu mais antigas do estado de São Paulo (Paulo Preto Fortunato)

O Instituto Afropira e a Casa de Batuqueiro elaboraram o texto para dar entrada ao processo de reconhecimento do Tambu (também conhecido como Batuque de Umbigada e Kaiumba) como patrimônio cultural imaterial de Piracicaba.

O projeto foi contemplado no Edital de Chamamento Público nº 04/2024 – Seleção de Projetos para Agentes Culturais com Recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – Pnab (Lei nº 14.399/2022), do município. Além de propor o reconhecimento da tradição como patrimônio, a iniciativa oportunizou a apresentação do Tambu em diferentes escolas e projetos sociais locais.

Uma das tradições de de resistência negra matriz bantu mais antigas do estado de São Paulo, especificamente no médio Tietê, o Tambu integra a cultura caipira de Piracicaba, Tietê e Capivari. Existia em 24 municípios e, atualmente, se mantém nessas três cidades, além de contar com um resgate em Rio Claro.

“A manutenção desta tradição se deve à união entre Piracicaba, Tietê e Capivari na década de 1950, quando os mestres que atuavam em suas cidades se preocuparam com a diminuição de participantes e de eventos e decidiram unir forças”, explica Elaine Teotonio, diretora do Instituto Afropira.

Novas gerações

Na década de 1990, de acordo com Elaine, uma nova ação foi necessária, já que os mais jovens não estavam inseridos no Tambu. Assim, as gerações anteriores passaram a formar seus sucessores, herdeiros da tradição.

“Nesta geração dos anos 1990 estão Vanderlei Bastos e Antônio Filogenio Junior, que receberam o bastão de seus antecessores. Com a missão de salvaguardar a tradição, ambos hoje são considerados mestres pela comunidade batuqueira e desde então desenvolvem projetos com crianças e encontros entre gerações”, afirma.

O trabalho com crianças e jovens acontece até os dias atuais, principalmente nas três cidades, por meio de projetos distintos, incluindo a mobilização realizada pelo Instituto Afropira. Os alunos do Instituto, que participam das aulas de dança promovidas por Elaine Teotonio e Mestre Marquinho, realizam junto à Casa de Batuqueiro diversas apresentações em Piracicaba e região. Também atuam nas escolas disseminando a tradição, tanto para os estudantes quanto em formações sobre educação antirracista voltadas a professores, gestores e toda a comunidade escolar.

O Instituto Afropira e a Casa de Batuqueiro vão apresentar o Tambu a alunos, professores e gestores de escolas públicas e projetos sociais de Piracicaba, aplicando a Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental ao ensino médio.

Serão contempladas as Escolas Municipais Profa. Tercilia do Vem Viver e Prof. Sabino Stênico do Jaraguá; as Escolas Estaduais Paulo Luiz Valério do Serrote, Prof. Augusto Saes do Nova América e Prof. Elias de Mello Ayres do Centro; além dos projetos sociais Ccinter do Bosque dos Lenheiros, Ccinter do Parque Piracicaba e Assupira (Associação de Surdos de Piracicaba).

“Essas iniciativas fortalecem ações educativas, promovem o reconhecimento das matrizes africanas e contribuem para o combate ao racismo estrutural. Com esse movimento e seus desdobramentos, Piracicaba avança como referência na promoção da diversidade, da memória e da justiça cultural”, completa Elaine Teotonio.

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