‘Desculpe Qualquer Coisa’

Curta piracicabano leva o Baque Caipira ao Festival de Cinema de Cuiabá

Produção, da Rubro Filmes, dirigido por Cris Mendes, integrou a Mostra Paradiso do evento

Da Redação
17/07/2026 às 07:53.
Atualizado em 17/07/2026 às 07:53

O curta-metragem ‘Desculpe Qualquer Coisa’, uma realização da produtora piracicabana Rubro Filmes (Divulgação)

O curta-metragem ‘Desculpe Qualquer Coisa’, uma realização da produtora piracicabana Rubro Filmes, escrito e dirigido por Cris Mendes, com produção de Gabriel Avillah, teve sua estreia na 23ª edição do Festival de Cinema de Cuiabá - Cinemato, um dos mais importantes e longevos festivais dedicados ao cinema brasileiro independente. O evento é reconhecido por valorizar produções autorais, incentivar o intercâmbio entre realizadores e público e fomentar discussões sobre a diversidade cultural e social por meio da linguagem cinematográfica.

O filme integrou a Mostra Paradiso, iniciativa realizada em parceria com o Instituto Paradiso que destaca novos olhares do cinema brasileiro e amplia a circulação de obras de cineastas em ascensão. Estar entre os títulos selecionados representa um importante reconhecimento artístico e fortalece a trajetória do curta no circuito nacional de festivais.

A seleção também marca um momento especial para a Rubro Filmes, produtora sediada em Piracicaba que, em 2026, completa sete anos de atuação dedicados à produção audiovisual, à valorização de narrativas autorais e ao fortalecimento da cena cinematográfica do interior paulista. Ao longo de sua trajetória, a produtora vem consolidando seu trabalho por meio de filmes que unem qualidade técnica, sensibilidade artística e identidade regional.

Com uma narrativa intimista, ‘Desculpe Qualquer Coisa’ convida o público a refletir sobre os vínculos familiares, os silêncios que atravessam gerações e a possibilidade de reconstrução dos afetos. Em vez de buscar respostas definitivas, o filme propõe um olhar sensível sobre as marcas deixadas pelo tempo e sobre como o amor, mesmo quando mal compreendido, continua presente nas relações.

A história acompanha Lia, que retorna à sua cidade natal após anos de afastamento para celebrar os 70 anos da mãe. O reencontro com Tereza e com a irmã Nanda faz emergir

lembranças, ressentimentos e sentimentos nunca elaborados. À medida que convivem novamente, as três mulheres são levadas a confrontar memórias, ausências e escolhas que moldaram suas trajetórias, revelando que, muitas vezes, o perdão começa quando se encontra espaço para a escuta.

Entre os elementos que reforçam a identidade cultural da obra está a participação do Baque Caipira, grupo piracicabano de maracatu de baque virado. Integrado organicamente à narrativa, o coletivo participa da celebração dos 70 anos da matriarca da família, transformando a comemoração em um momento de encontro, ancestralidade e pertencimento. Mais do que compor a ambientação da cena, a presença do grupo homenageia uma importante expressão cultural de Piracicaba e evidencia o compromisso da produção em valorizar artistas e manifestações que ajudam a construir a identidade do município.

O elenco reúne Aline Aparecida, Andréia Maressa, Vilma Warner e a piracicabana Alícia Previatti, talento mirim e Miss Piracicaba, cuja participação reforça a representatividade da produção local.

Outro destaque da obra é sua trilha sonora, que traz a canção "Percura Cigana", da artista amazônida Íris da Selva, artista trans não-binárie cuja produção musical dialoga com temas ligados à identidade, ancestralidade e diversidade.

Para a diretora Cris Mendes, o processo de criação nasceu da vontade de transformar experiências silenciosas em uma narrativa capaz de gerar identificação.

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