30 anos de Holy Land

Angra lança edição especial de disco que marcou o metal brasileiro

Originalmente lançado em 1996, “Holy Land” é um álbum conceitual inspirado na chegada dos portugueses à América do Sul no século XVI

Da Redação
30/06/2026 às 10:21.
Atualizado em 30/06/2026 às 10:21

2026 marca os 30 anos do lançamento de “Holy Land” (Divulgação)

A gravadora brasileira Voice Music anunciou o relançamento de “Holy Land”, segundo álbum de estúdio da histórica banda nacional de heavy metal Angra, em edição especial de 30 anos. Prevista para 13 de julho de 2026, a nova versão em CD físico terá áudio remasterizado, luva slipcase, obi, fotos, novo material gráfico e pôster exclusivo de 36 x 48 cm.

Lançado originalmente em 1996, “Holy Land” é um dos discos centrais da história do heavy metal brasileiro. Para quem não acompanha o gênero, o Angra ocupa no metal melódico e progressivo um lugar semelhante ao de bandas que conseguiram levar a música pesada brasileira para fora do país sem soar como mera cópia de cenas estrangeiras. Formado em São Paulo no início dos anos 1990, o grupo tornou-se uma das bandas nacionais de maior projeção internacional no segmento, especialmente em mercados como Japão e Europa.

“Holy Land” foi o disco que consolidou essa identidade. Depois da boa repercussão de “Angels Cry”, álbum de estreia lançado em 1993, o Angra aprofundou uma proposta mais ambiciosa: unir o peso e a técnica do heavy metal europeu a elementos da música brasileira, da música erudita e de ritmos afro-brasileiros. O resultado foi uma obra conceitual inspirada na chegada dos portugueses à América do Sul no século XVI.

Na época, a repercussão internacional já chamava atenção da imprensa brasileira. Em abril de 1996, a Folha de S.Paulo registrou que o Angra havia conquistado dois discos de ouro no Japão, com 100 mil cópias vendidas de “Angels Cry” e outras 100 mil de “Holy Land”. O dado ajuda a dimensionar o alcance de uma banda brasileira de metal em um mercado historicamente relevante para o rock pesado.

A produção também impulsionou o álbum oa sucesso mundial. “Holy Land” foi produzido pelos alemães Charlie Bauerfeind e Sascha Paeth, nomes ligados à sonoridade do power metal europeu. Bauerfeind trabalhou com bandas como Blind Guardian, Helloween, Gamma Ray, HammerFall, Rage e Saxon. Paeth, além de músico, produtor e engenheiro de som, construiu carreira associada a trabalhos de Avantasia, Kamelot, Rhapsody, Epica, Edguy e outros nomes do metal melódico e sinfônico.

No caso do Angra, a presença desses produtores não significou apagar a origem brasileira da banda. Ao contrário: em “Holy Land”, a produção internacional serviu para dar acabamento a um disco que buscava soar brasileiro dentro de uma linguagem global. As gravações ocorreram entre Brasil e Alemanha, com instrumentos principais registrados em estúdios alemães e participações ligadas a percussões, flauta, viola, berimbau, baixo acústico e coros gravadas no Brasil.

A formação do Angra no disco reunia o saudoso Andre Matos no vocal, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt nas guitarras, Luis Mariutti no baixo e Ricardo Confessori na bateria. Era um elenco de músicos com alta formação técnica, mas “Holy Land” ganhou importância justamente por ir além da demonstração de virtuosismo. O álbum criou uma narrativa sonora em que peso, melodia, coros, arranjos sinfônicos e referências brasileiras aparecem como parte de uma mesma ideia.

A recepção crítica ao disco também ajuda a explicar sua permanência. Em resenha publicada no AllMusic, o crítico David White observou que o Angra substituía parte do som progressivo clássico de “Angels Cry” por um metal com influência brasileira e concluiu que a mistura funcionava de forma expressiva, combinando “poder, intensidade e beleza”. Já o jornalista Igor Miranda, em análise publicada em 2021, definiu “Holy Land” como a obra mais rica e completa da carreira do grupo e destacou que o disco “definiu toda uma era para a música pesada brasileira”.

Entre as faixas, “Nothing To Say”, “Carolina IV”, “Holy Land”, “Make Believe”, “Z.I.T.O.” e “Deep Blue” estão entre os momentos mais lembrados. “Carolina IV”, com mais de dez minutos, resume a ambição do projeto ao combinar passagens acústicas, percussão, peso, arranjos progressivos e estrutura épica. A faixa-título explicita a fusão entre a temática histórica e a sonoridade brasileira que atravessa o álbum.

SERVIÇO

Artista: Angra

Álbum: “Holy Land” | Edição Especial de 30 Anos

Lançamento: Voice Music

Data prevista: 13 de julho de 2026

Formato: CD físico em caixa acrílica, com luva slipcase, obi e pôster de 36 x 48 cm

Faixas: “Crossing”, “Nothing To Say”, “Silence and Distance”, “Carolina IV”, “Holy Land”, “The Shaman”, “Make Believe”, “Z.I.T.O.”, “Deep Blue” e “Lullaby For Lucifer”

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